domingo, 4 de julho de 2010

cap.: 11, 12, 13, 14


Aqui postaremos esses 4 capitulo juntos por se tratarem de um so assunto e que um sem o outro ficariam incompletos.

Capítulo 11

Diz por que não amamos a Deus com perfeição desde o início. Mediante uma comparação, afirma a existência de quatro graus de oração. Tratará aqui do primeiro, que considera muito proveitoso para os principiantes e para os que não têm prazer na oração.1

1. Falando agora dos que começam a ser servos do amor (que não me parece outra coisa além de nos decidirmos a seguir por esse caminho de oração Aquele que tanto nos amou), considero uma dignidade tão grande que sinto enorme prazer só de pensar nela; porque o temor servil logo desaparece se passamos por esse primeiro estágio como devemos. Ó Senhor de minha alma e Bem meu! Por que não quisestes que, determinando-se a amar-Vos — fazendo tudo o que pode para deixar o mundo e se dedicar ao amor de Deus —, a alma não gozasse logo a elevação a esse amor perfeito? Não me exprimo bem: tinha de falar e me queixar do fato de nós não a querermos; a cul pa é toda nossa por não gozarmos logo de tamanha dignidade, pois, se che garmos a ter com perfeição esse verdadeiro amor de Deus, também obte remos todos os bens. Somos tão difíceis e demoramos tanto a nos entregar de todo a Deus que, como Sua Majestade não deseja que gozemos coisa tão preciosa sem pagar um grande preço, nunca acabamos de nos dispor.

2. Bem vejo que não há com que se possa comprar na terra tão grande bem; mas, se fizéssemos o que está em nossas mãos, desapegando-nos das coisas dela, dedicando-nos por inteiro ao céu, creio que sem dúvida teríamos esse bem muito depressa, se logo nos entregássemos de todo, como o fizeram alguns santos. Contudo, julgamos dar tudo quando oferecemos a Deus somente a renda e os produtos, ficando com a raiz e a propriedade. Determinamo--nos a ser pobres — o que é bastante nobre —, mas muitas vezes voltamos a preocupar-nos e a labutar para que não nos falte não apenas o necessário como o supérfluo, e para granjear amigos que no-los dêem, e temos maiores preocupações (expondo-nos, por vezes, a perigos) para que nada nos falte do que antes, quando éramos proprietários.

Parece também que abandonamos a honra quando nos fizemos religiosos ou quando começamos a ter vida espiritual e a procurar a perfeição; no en tanto, se um ponto de honra é atacado em nós, esquecemo-nos de que já consagramos a honra a Deus e buscamos recuperá-la e — por assim dizer — ar rancá-la das Suas mãos, depois de tê-Lo feito senhor dela por nossa própria vontade, ao menos aparentemente. Assim ocorre com todas as outras coisas.

3. Estranha maneira de buscar o amor de Deus! E logo o queremos em abundância, como se diz. Não fica bem manter nossas afeições (já que não procuramos realizar nossos desejos nem nos apartamos totalmente deles) ao lado das muitas consolações espirituais que recebemos, nem essas duas coisas me parecem compatíveis. Com isso, como não damos tudo de uma vez, também não recebemos de vez esse tesouro. Queira o Senhor que, gota a gota, Sua Majestade nos dê esse tesouro, mesmo que isso nos custe todos os sofrimentos do mundo.

4. Ele é rico em misericórdia para com aqueles a quem dá graça e ânimo para que se decidam a procurar esse bem com todas as forças; porque Deus não se nega a quem persevera, habilitando pouco a pouco o seu ânimo a alcançar a vitória. Digo ânimo porque são muitas as coisas que o demônio põe diante de quem começa, para impedi-lo de começar de fato esse caminho. Porque este último sabe do prejuízo que tem ao perder não somente essa alma, mas muitas. Se o iniciante se esforça, com o favor de Deus, para chegar ao auge da perfeição, creio que nunca vai sozinho ao céu, levando sempre muita gente consigo; como a bom capitão, dá-lhe Deus quem vá em sua companhia.

São tantos os perigos e as dificuldades que ele põe2 que não é pouco o ânimo necessário para não voltar atrás, além do constante favor de Deus.

5. No princípio está a maior dificuldade dos que estão determinados a bus car esse bem e a realizar esse empreendimento (quanto ao que comecei a falar sobre a teologia mística — acho que é esse o seu nome —, retomarei adiante); porque, no início, são eles que trabalham, embora o Senhor lhes dê o capital. Nos outros graus de oração, só há prazer, embora no começo, no meio e no fim todos carreguem suas cruzes, ainda que diferentes; pelo mesmo caminho que Cristo percorreu devem passar os que O seguem, se não quiserem se perder. Benditos sofrimentos que, ainda nesta vida, são pagos tão excessivamente!

6. Terei de recorrer a alguma comparação, embora, por ser mulher, prefe ris se evitá-las e escrever simplesmente o que me mandam. Mas é tanta a di ficuldade da linguagem espiritual3 para os que, como eu, não têm instrução que terei de buscar algum meio, correndo o risco de nem sempre acertar nes sa comparação; divertirá vossa mercê4 ver tanta ignorância.

Parece-me que li ou ouvi esta comparação — como tenho memória ruim, não sei onde nem por quê; mas, para o meu objetivo aqui, basta-me citá-la.5 Quem principia deve ter especial cuidado, como quem fosse plantar um jardim, para deleite do Senhor, em terra muito improdutiva, com muitas ervas daninhas. Sua Majestade arranca as ervas daninhas e planta as boas. Façamos de conta que isso já aconteceu quando uma alma decide dedicar-se à oração e começa a se exercitar nela. Com a ajuda de Deus, temos de procurar, como bons jardineiros, que essas plantas cresçam, tendo o cuidado de regá-las para que não se percam e venham a dar flores, cujo perfume agradável delicie esse nosso Senhor, para que Ele venha a se deleitar muitas vezes em nosso jardim e a gozar entre essas virtudes.

7. Vejamos agora a maneira de regar, para sabermos o que fazer e o quanto isso nos há de custar; verificar se o lucro é maior do que o esforço e o tempo que o trabalho levará.

Parece-me que é possível regar de quatro maneiras:

— tirando a água de um poço, o que nos parece grande trabalho;

tirá-la com nora e alcatruzes movidos por um torno; assim o fiz algumas vezes:6 dá menos trabalho que a outra e produz mais água;

trazê-la de um rio ou arroio; rega-se muito melhor, a terra fica bem mo lhada, não é preciso regar com tanta freqüência e o jardineiro faz menos esforço;

contar com chuvas freqüentes; neste caso, o Senhor rega, sem nenhum trabalho nosso, sendo esta maneira incomparavelmente melhor do que as outras.

8. Agora, apliquemos à oração essas quatro maneiras de regar, com as quais haveremos de conservar o jardim, que, sem ser irrigado, perecerá. Com esta comparação acredito poder explicar algo dos quatro graus de oração em que o Senhor, pela sua bondade, pôs algumas vezes a minha alma. Queira a Sua bondade que eu o diga de um modo que traga proveito a uma das pessoas que me mandaram escrever,7 porque o Senhor, em quatro meses, a fez avançar mais do que eu consegui em dezessete anos. Essa pessoa se dispôs melhor do que eu e, assim, rega sem trabalho seu vergel com essas quatro águas, embora a última só lhe venha gota a gota; mas, a prosseguir assim, logo estará mergulhada nela, com a ajuda do Senhor, e gostarei que ria se lhe parecer disparatada a minha forma de dizer.

9. Pode-se dizer dos que começam a ter oração que apanham a água do poço, o que é muito trabalhoso, como eu disse,8 porque eles têm de cansar--se para recolher os sentidos, algo que, como não estão acostumados a concentrar-se, requer muito esforço. É preciso que eles vão se habituando a não se incomodar com o que vêem ou ouvem, fazendo-o efetivamente nas horas de oração, ficando em solidão e afastados para pensar em sua vida passada. Na verdade, todos devem fazer isso com freqüência, tanto iniciantes como os que estão avançados, pensando mais ou menos nisso, como depois direi.9 No princípio, os iniciantes ainda sofrem, por julgarem que não se arrependem dos pecados, embora o seu arrependimento seja sincero, pois estão de fato determinados a servir a Deus. Eles devem procurar pensar na vida de Cristo e, nisso, cansa-se a mente.

Até aqui podemos chegar sozinhos, claro que com o favor de Deus, pois, como se sabe, sem Ele, não podemos ter um único bom pensamento. Isso é começar a tirar água do poço, e queira Deus que este não esteja seco. Pelo menos fazemos a nossa parte, indo apanhar água e fazendo o que podemos para regar as flores. E é o bom Deus que, por motivos que Ele conhece — talvez para grande proveito nosso —, quer que o poço esteja seco, devendo nós fazer como o bom jardineiro, que, sem água, mantém as flores e faz crescer as virtudes. Chamo de “água” aqui as lágrimas e, à falta delas, a ternura e o sentimento interior de devoção.

10. E o que fará aqui quem vir que, em muitos dias, só há secura, des gosto, dissabor e tão má vontade para ir tirar a água? Se não se recordasse de que serve e agrada ao Senhor do jardim e se não receasse perder todo o serviço já feito, além do que espera ganhar com o grande trabalho que é lançar mui tas vezes o balde ao poço e tirá-lo sem água, abandonaria tudo? Muitas vezes, nem conseguirá levantar os braços, nem poderá ter um bom pensamento, porque esse trabalho com o intelecto, entenda-se, é tirar água do poço.

Como eu dizia, que fará aqui o jardineiro? Alegrar-se, consolar-se e considerar uma enorme graça trabalhar no jardim de tão grande Imperador. Sabendo que contenta ao Senhor com aquilo, e que a sua intenção não há de ser senão contentar a Ele, louve-O muito, pois o Senhor nele confia, por ver que, sem nada receber, a alma cuida muito do seu trabalho; que o jardineiro O ajude a carregar a cruz e pense que o Senhor nela viveu por toda a vida; que não procure seu reino aqui na terra e nunca abandone a oração. E se de termine, mesmo que essa secura dure a vida inteira, a não deixar que Cristo caia com a cruz, pois virá o momento em que toda a sua recompensa lhe será dada de uma vez. Não tenha medo de que o seu trabalho se perca, pois ele ser ve a bom patrão, que o está olhando. Não se incomode com os maus pen samentos; pense que o demônio também os representava a São Jerônimo no deserto.10

11. Esses trabalhos têm seu valor, eu o sei, pois os fiz durante muitos anos (quando eu tirava uma gota de água desse poço bendito, pensava que Deus me concedia uma graça), sendo necessário, para vencê-los, mais coragem do que para muitos outros trabalhos do mundo. Mas vi com clareza que Deus não deixa de dar grande recompensa, ainda nesta vida; pois é certo que, em uma hora na qual o Senhor me permite rejubilar-me nele, considero pagas todas as angústias por que, para perseverar na oração, passei.

Creio que o Senhor deseja dar, muitas vezes no princípio e outras no final, esses tormentos e muitas outras tentações que aparecem, para testar os que O amam e saber se poderão beber o cálice e ajudá-Lo a levar a cruz, antes de lhes oferecer grandes tesouros. E é para o nosso bem que Sua Ma jestade deseja levar-nos dessa maneira para que compreendamos quão pou co somos; porque as graças que depois vêm têm tamanha dignidade que Ele, antes de dá-las, deseja que, pela experiência, percebamos antes a nossa in significância, a fim de que não aconteça conosco o que sucedeu a Lúcifer.

12. Que fazeis Vós, Senhor meu, que não seja para maior bem da alma que já sabeis ser Vossa e que se põe em Vosso poder para seguir-Vos por on de fordes, até a morte na cruz, determinada a ajudar-Vos a carregá-la e a não Vos deixar sozinho com ela?

Quem vir em si essa determinação… de modo algum deve temer. Não tem razão para afligir-se quem se dedica às coisas do espírito. Estando já no nível tão alto que é o do desejo de ficar a sós com Deus e de renunciar aos pas­satempos do mundo, a alma fez a maior parte. Louvai por isso Sua Majes ta de e confiai em Sua bondade, pois Ele nunca faltou aos seus amigos. Fechai os olhos da mente para não pensardes: por que Ele dá devoção a alguém em pou cos dias e a nega a mim em tantos anos? Acreditemos que é tudo para o nos so bem maior. Guie Sua Majestade por onde quiser. Já não somos nossos, mas Seus. Ele já nos favorece bastante ao nos dar disposição para cavar no Seu jardim e estar aos pés do seu Senhor, que por certo está conosco. Se Ele deseja que essas plantas e flores cresçam, para uns jardineiros com a água que tiram do poço e, para outros, sem ela, que importância tem isso para mim? Fazei Vós, Senhor, o que quiserdes. Que eu não Vos ofenda e que não se percam as virtudes, se alguma já me destes só por Vossa bondade. Desejo padecer, Senhor, pois Vós padecestes. Faça-se em mim, de todas as maneiras, a Vossa vontade, e não permitais que uma coisa tão valiosa quanto o Vosso amor seja dada a quem só Vos serve em busca de consolações.

13. Deve-se acentuar — e o digo por experiência — que a alma que, nessa trilha da oração mental, começa a caminhar com determinação e con segue de si mesma não fazer muito caso, nem consolar-se ou desconsolar-se muito por faltarem ou não esses gostos e essa ternura, ou por lhos dar o Senhor, já venceu boa parte do caminho; e que não tenha medo de recuar, por mais que tropece, já que começou o edi fício com firmes alicerces. Sim, pois o amor de Deus não está em ter lá grimas nem em ter esses gostos e essa ternura, que em geral desejamos e com os quais nos consolamos, mas em servir com justiça, força de ânimo e hu mildade. Isso me parece mais receber do que dar alguma coisa.

14. Para mulherzinhas como eu, fracas e pouco constantes, creio que con vém, como Deus agora o faz comigo: conduzir-me com regalos, para que eu possa so frer algumas dificuldades que Sua Majestade desejou que eu tivesse. Mas, para servos de Deus, homens de valor, instruídos, inteligentes, desgosta--me ou vi-los se queixarem tanto de que Deus não lhes dá devoção; não digo que não a aceitem, se Deus a der, tendo-a em alta conta, porque, nesse caso, Sua Majestade sabe que isso lhes convém, mas que, quando não a tiverem, que não se aflijam, entendendo que ela não lhes é necessária, já que Sua Majestade não a dá, e sigam seu caminho. Acreditem que é uma imperfeição. Eu o vi e experimentei. Acreditem que é imperfeição e falta de liberdade de espírito; é mostrar fraqueza para qualquer empreendimento.

15. Não falo isso tanto para os que começam (embora eu o acentue tanto porque é muito importante para eles começar com essa liberdade e determinação), mas para outros, pois haverá muitos, e há realmente, que começaram e nunca acabam de acabar; e creio que isso se deve em grande parte ao fato de eles não abraçarem a cruz desde o início, razão por que ficam aflitos, julgando que nada fazem. Não conseguem suportar que o intelecto deixe de atuar, não percebendo que, então, a vontade aumenta e se fortalece.

Temos de pensar que o Senhor não olha coisas que, embora nos pareçam faltas, não o são. Sua Majestade já conhece a nossa miséria e baixeza natural melhor do que nós mesmos, sabendo que essas almas desejam sempre pensar nele e amá-Lo; o que Ele quer é essa determinação, não servindo essa outra aflição senão para inquietar a alma. Quem está incapacitado de obter frutos durante uma hora assim o estará por quatro. Porque muitíssimas vezes (tenho enorme experiência nisso, e sei que é verdade, porque o examinei com cuidado e disso tratei com pessoas espirituais) tudo vem da indisposição corporal; somos tão miseráveis que essa pobre alma está aprisionada aos males do corpo; e as mudanças do tempo e variações dos humores muitas vezes fazem com que, sem culpa, ela não possa fazer o que quer, padecendo de todas as maneiras. Nesses momentos, quanto mais a quisermos forçar, tanto pior e mais duro será o mal; nesse caso, é preciso ter discrição para ver quando se deve fazer o quê, para não atormentar a pobre. Que elas percebam que estão doentes e mudem a hora da oração, o que amiúde durará alguns dias. Suportem como puderem esse desterro, pois é grande a desventura da alma amante de Deus ao ver que passa por essa desolação, sem poder fazer o que quer, por ter um hóspede tão ruim quanto o corpo.

16. Eu disse “ter discrição” porque às vezes o demônio age. Assim, é bom que não se deixe sempre a oração quando se está muito distraído e perturbado no intelecto, nem se atormente sempre a alma, obrigando-a a fazer o que não pode.

Há outras ocupações além de obras de caridade e de leitura, mesmo que por vezes nem isso seja possível. Sirva-se então ao corpo por amor a Deus, para que ele, em muitas outras ocasiões, sirva à alma; dedique-se o tempo a conversas virtuosas ou a passeios pelo campo, segundo o conselho do confessor. Em tudo, vale muito a experiência, que nos dá a entender o que nos convém e nos faz ver que em tudo servimos a Deus. Suave é o seu jugo, e muito vale a pena não arrastar a alma, como se diz, mas levá-la com suavidade11 para seu maior aproveitamento.

17. Assim, repito — e mesmo que não pare de fazê-lo, ainda não o terei enfatizado o bastante — que importa muito que não nos atormentemos nem nos aflijamos com essas securas, com a inquietude e com a distração nos pensamentos. Quem quiser obter liberdade de espírito e não ficar sempre atribulado deve começar por não se espantar com a cruz; se o fizer, verá que o Senhor também ajuda a levá-la, e viverá contente e tirando proveito de tudo. É natural, pois se o poço está seco, nós não podemos enchê-lo de água; é verdade que não podemos nos descuidar, para que, quando houver água, a tiremos — porque, nesse caso, Deus deseja por meio dela multiplicar as virtudes.

Capítulo 12


Prossegue no primeiro estado. Diz até onde podemos chegar, com o favor de Deus, por nós mesmos, e fala do prejuízo que é querer, antes que o Senhor o faça, elevar o espírito a coisas sobrenaturais.1

1. O que pretendi dar a entender no capítulo anterior — embora tenha enveredado por outras coisas que me pareciam muito necessárias — foi o ponto até o qual podemos chegar por nós mesmos e a maneira como, nessa primeira devoção, podemos valer-nos dos nossos próprios recursos. Porque, ao pensarmos detalhadamente no que o Senhor passou por nós, alcançamos a compaixão, encontrando sabor nesse sofrimento e nas lágrimas que dele vêm; pensar na glória que esperamos, no amor que o Senhor teve por nós e em Sua ressurreição nos dá um prazer que não é de todo espiritual nem dos sentidos, mas é um prazer virtuoso e um pesar muito meritório. Assim são todas as coisas que causam devoção quando o entendimento está envolvido, muito embora, se Deus não a desse, não se poderia merecê-la nem ganhá-la. É muito bom que uma alma que só chegou até aqui graças ao Senhor não procure ir além por si — e muito se atente para isso —, para que não obtenha, em vez de lucro, prejuízo.

2. Neste estado, ela pode fazer muito para se determinar a servir bastante a Deus e despertar o amor, assim como para ajudar a crescer as virtudes, como o diz um livro chamado Arte de servir a Dios,2 que é muito bom e apropriado para os que estão nesse estado em que a mente age. A pessoa pode imaginar que está diante de Cristo e acostumar-se a enamorar-se da Sua sagrada Humanidade, tendo-O sempre consigo, falando com Ele, pedindo-lhe auxílio em suas necessidades, queixando-se dos seus sofrimentos, alegrando-se com Ele em seus contentamentos e nunca esquecendo-se Dele por nenhum motivo, e sem procurar orações prontas, preferindo palavras que exprimam seus desejos e necessidades.

É excelente maneira de progredir, e com rapidez. E adianto que quem trabalhar para ter consigo essa preciosa companhia, aproveitando muito dela e adquirindo um verdadeiro amor por esse Senhor a quem tanto devemos, terá grande benefício.

3. Para isso, não façamos caso de não ter devoção sensível— como eu disse —3, mas agradeçamos ao Senhor, que nos permite estar desejosos de con tentá-Lo, embora as nossas obras sejam fracas. Esse modo de trazer Cristo conosco é útil em todos os estados, sendo um meio seguríssimo para tirar proveito do primeiro e breve chegar ao segundo grau de oração, bem como, nos últimos graus, para ficarmos livres dos perigos que o demônio pode pôr.

4. Pois isso é o que podemos fazer. Quem quiser passar daqui e levantar o espírito a sentir gostos, que não lhe são dados, perde, a meu ver, tudo. Os gostos são sobrenaturais e, perdido o entendimento, a alma fica desamparada e com muita aridez. E como esse edifício tem a sua fundação na humildade, quanto mais próximos de Deus estivermos, tanto maior deverá ser essa virtude, pois, se assim não for, tudo perderemos. E parece algum tipo de soberba querermos ir além disso, visto que Deus já faz em demasia, pelo que somos, ao permitir que nos aproximemos dele.

Não se entenda com isso que não é bom elevar o pensamento a coisas superiores do céu e de Deus, às grandezas que lá há e à sabedoria divina; porque, embora eu nunca o tenha conseguido (porque não tinha capacidade — como disse —4 e me achava tão ruim que, mesmo para pensar em coisas da terra, precisava que Deus me fizesse a graça de entender esta verdade, por não ser isso pouco atrevimento, para não falar em pensar em coisas do céu), outras pessoas tirarão proveito disso, especialmente se forem instruídas, pois a instrução é, a meu ver, um grande tesouro para esse exercício, se for acompanhada da humildade. Ultimamente, tenho percebido que alguns estudiosos,5 que há pouco começaram, tiveram um grande proveito; isso me faz desejar ansiosamente que muitos deles sejam espirituais, como adiante direi.

5. Quando digo “não se elevem sem que Deus os eleve”, uso linguagem espiritual; quem tiver alguma experiência vai me entender, pois, se não o entender, não sei dizer com outras palavras. Na teologia mística, de que comecei a falar,6 o intelecto deixa de agir porque Deus o suspende, como depois explicarei se souber e se Ele me conceder para isso o seu favor. Tentar ou presumir suspendê-lo por nós mesmos, deixar de agir com ele, é o que considero inconveniente, porque assim ficaremos bobos e frios, e não conseguiremos nem uma coisa nem outra. Quando o Senhor o suspende e o faz parar, Ele mesmo lhe dá com que se ocupar e se impressionar, de maneira tal que, no espaço de um credo, podemos compreender, sem raciocinar, mais do que, em muitos anos, com os nossos próprios esforços terrenos. É um disparate querermos conter as faculdades da alma e pensar em aquietá-las.

E repito, ainda que não se entenda: isso não é de grande humildade. Embora não haja culpa, haverá danos, pois será trabalho perdido, e a alma vai ficar um tanto desgostosa, como se estivesse prestes a dar um salto e se sentisse segura por trás, parecendo empregar a força sem conseguir o seu intento. Quem quiser comprová-lo verá o pouco ganho que vai ter, e, neste, a pequena falta de humildade de que falei.7 Porque numa coisa essa virtude é excelente: o que é feito com o seu apoio nunca deixa desgosto na alma.

Creio que expliquei bem, mas talvez só esteja claro para mim. Que o Senhor abra os olhos dos que isto lerem dando-lhes experiência, que, por pouca que seja, logo os fará entender.

6. Por vários anos li muitas coisas e nada entendi; depois, apesar do que Deus me dava, eu não sabia dizer uma palavra que exprimisse essa situação, o que não me custou poucos sofrimentos. Quando deseja, Sua Majestade ensina tudo num momento, e de uma maneira que me espanta.

Para dizer a verdade, mesmo falando com muitas pessoas espirituais que queriam me explicar o que o Senhor me dava, para que eu o soubesse dizer, é certo que a minha rudeza era tanta que eu nada aproveitava; ou, talvez, o Senhor, que sempre foi o meu mestre (seja por tudo bendito, pois bastante confusão me causa poder dizer isto com verdade), tenha querido que nesse aspecto eu não tivesse de agradecer a ninguém; sem que eu quisesse nem pedisse (que nisso não fui nada curiosa — porque teria sido virtude sê-lo —, sendo-o apenas em outras vaidades), Deus me deu num momento a graça de entender com toda a clareza e de saber exprimi-lo, de tal modo que os meus confessores se espantavam, e eu mais do que eles, porque conhecia mais a minha rudeza. Foi há pouco que recebi essa graça; e o que o Senhor não me ensinou, eu não o procuro, a não ser o que tem que ver com minha consciência.

7. Torno a avisar que é muito importante “não elevar o espírito se o próprio Senhor não o eleva” — o que isso significa logo se entende. Isso é especialmente ruim para mulheres, em quem o demônio poderá causar alguma ilusão; embora eu tenha certeza de que o Senhor não consente que se prejudique quem, com humildade, procura chegar a Ele, fazendo com que, pelo contrário, obtenha mais proveito e lucro daquilo com que o inimigo julgou provocar prejuízo.

Como esse caminho é o mais usado pelos iniciantes, sendo muito importantes os avisos que dei, estendi-me tanto. Há livros em que isso estará escrito melhor, eu confesso, e foi com grande confusão e vergonha que o escrevi, se bem que sem ter tanta quanto deveria ter.

Bendito seja por tudo o Senhor, que deseja e consente que uma pessoa como eu fale de Suas coisas, tão elevadas e sublimes.

Capítulo 13

Prossegue no primeiro estado e dá avisos sobre algumas tentações que o demônio algumas vezes suscita. Faz advertências quanto a isso. — É muito proveitoso.

1. Creio ser necessário falar de algumas tentações, que experimentei, que ocor rem no princípio, bem como alertar para coisas que me parecem importantes.

No princípio, deve-se ter alegria e liberdade, não acreditando, ao contrário do que dizem algumas pessoas, que um pouco de descuido destrói a de voção. É bom temer a si mesmo, não confiando em si, para não se pôr em situações nas quais se ofenda a Deus; isso é deveras necessário até que a virtude assente sólidas raízes na alma. E não há muitos que alcançam tal estado que, em ocasiões favoráveis aos seus apetites naturais, possam se descuidar, visto que, enquanto vivermos, e até por humildade, é bom conhecer a nossa natureza miserável. Mas há muitas ocasiões em que se pode, como eu disse,1 espairecer um pouco para voltar à oração com mais fervor. Em tudo é preciso ter discrição.

2. Devemos ter grande confiança, porque convém muito não reduzir os desejos, confiando em Deus que, se nos esforçarmos, poderemos chegar — pouco a pouco, embora não logo — ao ponto alcançado por tantos santos com o Seu favor; se estes nunca se determinassem a desejá-lo e a passar gradativamente à prática, não teriam atingido tão alto estado. Sua Majestade deseja almas corajosas e é amigo delas, desde que sejam humildes e sempre desconfiem de si mesmas. Nunca vi quem assim age perder-se no caminho, nem uma alma covarde que, sob pretexto de humildade, percorresse em muitos anos o que as outras percorrem em pouco tempo. Causa-me forte impressão a grande importância que tem nesse caminho procurar grandes coisas; mesmo que não tenha forças logo, a alma vence uma enorme distância, como uma ave de asas fracas que cansa e pára.

3. Antigamente, eu me lembrava com freqüência do que São Paulo disse: Em Deus tudo se pode. Eu estava bem convencida de que, por mim, nada podia fazer. Isso muito me valeu, assim como as palavras de Santo Agostinho:Dai-me o que me ordenais e ordenai-me o que quiserdes. Eu pensava muito que, embora depois tivesse medo, São Pedro nada perdera por se lançar ao mar.2 Essas determinações logo no começo são excelentes. Nesse primeiro grau de oração, é preciso caminhar com lentidão e prudência, seguindo o que um mestre disser. Mas é bom tomar cuidado para que o confessor não ensine a andar como um sapo, nem treine a alma para só caçar lagartixas. É preciso ter sempre a humildade diante dos olhos para entender que essas forças não vêm de nós.

4. É necessário, porém, compreender como deve ser essa humildade. Creio que o demônio muito prejudica, impedindo que as almas que têm ora ção avancem, ao lhes dar um falso conceito de humildade, fazendo parecer soberba ter grandes desejos, querer imitar os santos e aspirar ao martírio. Ele cedo nos diz ou sugere que as ações dos santos devem ser admiradas, e não imitadas por pecadores como nós. Eu também o digo, mas devemos ver com clareza o que tem de ser admirado e o que tem de ser imitado. Naturalmente, não seria razoável que uma pessoa fraca e doente se pusesse a fazer muitos jejuns e penitências, fosse para um deserto — onde não pudesse dormir nem tivesse comida — ou coisas semelhantes. Temos de pensar que, com o favor de Deus, podemos esforçar-nos para atingir um grande desprezo pelo mundo e pelas suas honras, desapegando-nos dos bens terrenos. É tão fraco o nosso coração que achamos que o chão vai faltar se nos descuidarmos um pouco do corpo para dar mais ao espírito. Logo pensamos que a fartura facilita o recolhimento, porque a preocupação perturba a oração. Muito me dói que a nossa confiança em Deus seja tão pouca e que seja tanto o amor--próprio a ponto de nos preocuparmos com essas coisas. Quando o espírito está assim tão fraco, coisas insignificantes nos trazem tanto sofrimento quanto coisas grandes e muito importantes a outras pessoas. E, no íntimo, consideramo-nos pessoas espirituais!

5. Acho que essa maneira de caminhar aparenta-se a querer conciliar corpo e alma, para não se perder o descanso aqui e ir ao céu fruir as delícias de Deus. Isso de fato acontecerá se nos apegarmos à justiça e à virtude. Mas é um passo curto, com o qual jamais chegaremos à liberdade de espírito. É muito correto para pessoas casadas, que devem viver de acordo com a sua vocação. Mas, para outro estado, de forma alguma desejo essa maneira de aproveitar, nem me farão crer que é boa, porque já a experimentei e teria ficado no mesmo ponto se o Senhor, com a Sua bondade, não me tivesse ensinado outro caminho.

6. É verdade que, no tocante aos desejos, os meus sempre foram grandes. Eu, contudo, procurava fazer o que disse:3 ter oração e viver ao bel-prazer. Acredito que, se tivesse quem me ensinasse, eu teria feito esforços para pôr em prática os desejos. Mas, pelos nossos pecados, há tão poucos,4 tão raros, que não têm demasiada discrição nesse caso que penso ser essa, em grande parte, a razão de os principiantes não se elevarem mais depressa à grande perfeição; porque o Senhor nunca falta nem cria impedimentos — nós somos os culpados e miseráveis.

7. Também podemos imitar os santos procurando a solidão, o silêncio e muitas outras virtudes que não matarão os corpos manhosos, que tão organizadamente querem servir para desconcertar a alma. Por outro lado, o demônio ajuda muito a torná-los incapazes quando percebe um pouco de temor. Ele não precisa de muito para nos fazer imaginar que tudo nos tira a saúde e a vida; e até evita que choremos ao infundir em nós o medo da cegueira. Sei que é assim, pois passei por isso; não entendo que melhor visão ou saúde podemos desejar do que a sua perda por semelhante causa.

Sendo tão doente, enquanto não me resolvi a desprezar o corpo e a vida, sempre estive amarrada, sem nenhuma utilidade. E, mesmo hoje, faço bem pouco. Deus quis que eu percebesse o ardil; e quando o inimigo me trazia o receio de perder a saúde, eu lhe respondia: “Pouco importa que eu morra”. Se ele me sugeria descanso, eu dizia: “Não preciso de descanso, e sim de cruz”. E assim por diante. Vi claramente que, em inúmeras circunstâncias, em­bora eu de fato seja bem doente, tudo não passava de tentação do demônio ou lassidão de minha parte. Depois que deixei de me tratar com tantos cuidados e mimos, fiquei muito mais sadia.

Em resumo, desde o início, quando se começa a fazer oração, é fundamental não amesquinhar os pensamentos: acreditem-me, pois falo por ter experiência. Esta relação de minhas faltas pode ao menos servir para que elas sejam evitadas.

8. Outra tentação, muito comum nos que começam a saborear o sossego e a ver o quanto ganham com ele, é o desejo de que todos sejam espirituais. Não é ruim desejá-lo, mas lutar por isso pode não ser bom se não se tiver muita sagacidade e discrição para agir de uma maneira que não dê a impressão de que se pretende ensinar. Quem quiser fazer algum bem nesse aspecto deve fortalecer muito as suas virtudes para não causar tentação nos outros.

Isso aconteceu comigo quando eu procurava que outras pessoas fizessem oração — por isso o entendo. De um lado, elas me viam enaltecer o grande bem que é isso e, de outro, me viam viver sem virtudes, embora eu me exer citasse nelas. Por isso, ficavam perplexas e tentadas, como depois me disseram. Elas estavam cobertas de razão, porque não entendiam como era possível conciliar coisas tão opostas. Por minha causa, não tomavam por mal o que de fato o era, porque tinham boa opinião de mim e me viam agir assim algumas vezes.

9. Nisso consiste a astúcia do demônio, que usa nossas virtudes e boas qualidades para promover o mais que pode o mal que pretende fazer; por menor que este seja, ele lucra bastante quando se vive em comunidade. Ainda mais que o mal que eu fazia era enorme. Com efeito, em muitos anos, só três pessoas5 se beneficiaram do que eu lhes dizia. Mais tarde, quando o Senhor já me tinha dado mais forças na prática da virtude, em dois ou três anos muitas outras progrediram, como adiante direi.6

Há, além disso, outro grande inconveniente, a perda da alma. Sobretudo no princípio, ela só deve se preocupar consigo mesma e pensar que na terra há apenas Deus e ela; isso lhe fará grande bem.

10. Outra tentação é ter pena dos pecados e faltas dos outros. Tudo isso se apresenta sob a aparência de zelo pela virtude. Precisamos saber discernir e ser precavidos. O demônio instiga a querermos remediar de pronto os ma­les, fazendo-nos acreditar que o nosso único objetivo é zelar pela honra de Deus e desejar que Ele não seja ofendido. Isso nos inquieta de uma maneira que impede a oração. O maior prejuízo é estarmos convencidos de que tudo isso é virtude, perfeição e grande zelo pela glória de Deus. Não falo da dor cau sada por pecados públicos — se eles forem costumeiros — de uma Congre gação ou dos males que chegam à Igreja com as heresias, causa da perda de tantas almas. Essa dor é muito saudável e, por isso, não inquieta. A segurança para quem começa a fazer oração está em deixar tudo e todos e só querer saber de si e de contentar a Deus. Isso é muito conveniente, porque, se eu fosse contar os erros que vejo serem cometidos por se confiar na boa intenção!… Procuremos sempre olhar as virtudes e coisas boas que virmos nos outros e encubramos os seus defeitos com os nossos grandes pecados. Este modo de agir — mesmo que, no princípio, não seja perfeito — nos dá uma excelente virtude: considerarmos todos melhores do que nós; fazendo assim, vamos progredindo, com o favor de Deus — que é necessário em tudo e sem o qual os nossos esforços serão inúteis. Supliquemos ao Senhor que nos conceda essa virtude, porque, se fizermos o que está ao nosso alcance, Ele não nos faltará.

11. Quem usa muito o intelecto, tirando de cada coisa muitos conceitos e conclusões, deve dar atenção a este aviso — aos que não podem trabalhar com a mente e raciocinar, como era o meu caso, só tenho uma coisa a dizer: sejam pacientes, até que o Senhor lhes dê com que se ocupar e os ilumine, pois podem tão pouco por si que o seu intelecto mais os estorva que os ajuda. Voltando aos que raciocinam, digo que, embora muito meritória, essa atividade não deve ocupar todo o tempo. Como obtêm prazer na oração, essas pessoas não querem saber de domingos nem de pausas (que consideram tempo perdido). Para mim, essa aparente perda produz muitos lucros. Em vez disso, repito, imaginem que estão diante de Cristo e, sem cansar o intelecto, falem e alegrem-se com o Senhor, sem o trabalho de formular raciocínios. Digam-Lhe as suas necessidades, lembrando-se também dos motivos que Ele teria para não admiti-los à Sua presença. Façam ora uma coisa, ora outra, evitando que a alma se canse de comer sempre o mesmo alimento. E esses alimentos de que falo são muito saborosos e proveitosos; se o paladar se acostuma ao seu gosto, eles trazem grande substância para dar vida à alma e muitos outros ganhos.

12. Quero exprimir-me melhor, porque todas essas coisas de oração são custosas e, se não se tiver mestre, difíceis de entender. Por isso, embora eu queira ser breve — e bastaria tocar no assunto para que quem me mandou es­crever logo entendesse —, minha pouca inteligência não me permite explicar em poucas palavras o que tanto precisa de boa explicação. Como sofri muito, com padeço-me de quem começa só com livros; porque eu me admiro ao ver como se compreende, neles, uma coisa que a experiência revela ser bem diferente.

Voltando ao que eu dizia,7 pensemos num passagem da Paixão — por exemplo, a do Senhor atado à coluna — e, com o intelecto, procuremos avaliar as grandes dores e o sofrimento que Sua Majestade teve ali tão só, e tantas outras coisas que um espírito esforçado pode perceber aí. Se se for instruído, então!… Esse é o modo de oração conveniente para todos, um caminho excelente e muito seguro até que o Senhor os leve a outras coisas sobrenaturais.

13. Digo “todos” porque há muitas almas que, em outras meditações, têm mais proveito do que na da Sagrada Paixão, porque, assim como há muitas moradas no céu,8 há muitos caminhos: algumas pessoas se beneficiam considerando-se no inferno, e outras, no céu; estas se afligem ao pensar no inferno, e outras, na morte. Algumas, se são ternas de coração, se cansam muito em pensar sempre na Paixão, alegrando-se e aproveitando ao considerarem o poder e a grandeza de Deus nas criaturas, bem como o amor que Ele teve por nós, manifesto em todas as coisas. Todos esses modos são admiráveis, desde que não se deixem a Paixão e a vida de Cristo, que é de onde nos veio e vem todo o bem.

14. O iniciante deve prestar atenção para saber o que é melhor para si. O mestre, se experiente, é muito necessário aqui; se não o for, pode errar muito e dirigir uma alma sem entendê-la nem deixar que ela se entenda — porque, como sabe que é grande o mérito de estar sujeita a um mestre, ela não se atreve a sair do que ele manda. Já encontrei almas encurraladas e aflitas devido à falta de experiência do seu mestre — o que me causava pesar —, e uma que nem sabia o que fazer de si; porque, não entendendo o espírito, aflige9 a alma e o corpo, atrapalhando o aproveitamento. Outra pessoa estava há oito anos paralisada pelo mestre, que não a deixava avançar além do seu próprio conhecimento. Como o Senhor já concedera a essa alma a oração de quietude, era muito o seu apuro.

15. Embora o conhecimento próprio nunca deva ser abandonado, nem haja alma, nesse caminho, tão forte que não precise muitas vezes voltar a ser criança e a mamar (nunca nos esqueçamos disso; eu talvez o repita10 outras vezes, por ser muito importante), e embora não haja estado de oração tão elevado que torne desnecessário voltar ao princípio com freqüência — sendo os pecados e o conhecimento próprio o pão com que todos os manjares, por mais delicados, devem ser comidos nesse caminho da oração (pão sem o qual ninguém poderia se sustentar) —, é preciso comer com moderação. Porque, quando se vê rendida e percebe claramente que nada de bom possui, sentindo vergonha diante de Rei tão grandioso, a alma vê o pouco que Lhe paga pelo muito que Lhe deve. Que necessidade temos de gastar o tempo aqui, se é melhor buscar outras coisas que o Senhor nos põe diante dos olhos — e que não tem cabimento deixarmos, já que Sua Majestade sabe melhor que nós o que nos convém comer?

16. Por isso, é muito importante que o mestre seja inteligente — isto é, de bom entendimento e experiente. Se, além disso, tiver instrução, será perfeito. Contudo, não sendo possível achar as três coisas juntas, as duas primeiras são mais relevantes, porque, caso seja necessário, os principiantes podem recorrer aos letrados para alguma consulta. No início, os mestres que não fazem oração, ainda que sejam sábios, são de pouca ajuda; não digo que não se deva ter con tato com letrados, porque um espírito que não comece pela verdade melhor faria em não orar. Além disso, a instrução é muito boa porque ensina aos que pouco sabemos e nos dá luz, para que, chegando às verdades da Sagrada Escritu ra, façamos o que devemos; de devoções tolas, livre-nos Deus.

17. Desejo explicar-me melhor, pois acredito que me perco em muitas coisas. Sempre tive o defeito de não saber dizer as coisas — como falei —11 senão com muitas palavras. Uma monja começa a fazer oração; se for dirigida por um simplório, e a este parecer melhor, ele lhe dará a entender que é pre ferível que ela lhe obedeça a que obedeça ao seu superior — e sem malícia, ima ginando estar certo; porque, se não for religioso, ele vai pensar que assim deve ser. Se for uma mulher casada, ele lhe dirá que é melhor, em vez de cuidar da casa, dedicar-se à oração, mesmo que descontente o marido. Dessa maneira, ela não vai saber organizar o tempo nem as suas ocupações para que tudo siga a verdade. Por lhe faltar luz, ele não a dá a ninguém, embora queira. E, ainda que para isto não pareça necessário ter instrução, sempre tive a opi nião de que todo cristão deve procurar ter relações com quem a tenha, se puder, e quanto mais melhor; e os que seguem o caminho da oração têm mais ne cessidade disso, e tanto maior quanto mais espirituais forem.

18. E ninguém se engane, dizendo que os letrados sem oração não servem para quem a tem. Tenho lidado com muitos, porque de uns anos para cá minha necessidade tem sido maior. E sempre fui amiga deles, pois, mesmo que alguns não tenham experiência, não se opõem ao que é espiritual nem o ignoram, já que, nas Sagradas Escrituras que estudam, sempre acham a verdade do bom espírito. Tenho para mim que a pessoa de oração que se relacio nar com letrados não será enganada pelas ilusões do demônio, se não quiser se enganar, porque, creio eu, os demônios temem muito a instrução humilde e virtuosa, sabendo que serão descobertos e prejudicados.

19. Eu disse isso porque há quem pense que os letrados não servem para pessoas de oração se não seguirem o espírito.12 Já falei que o mestre espiritual é necessário; se, contudo, este não for instruído, há aí um grande inconveniente. Ajuda muito relacionar-se com pessoas instruídas; se forem virtuosas, mesmo que não sejam espirituais, trazem proveito, e Deus fará com que entendam o que precisam ensinar e até as tornará espirituais para que nos ajudem. E não o afirmo sem tê-lo experimentado; aconteceu-me com mais de dois. Errará muito uma alma que, resolvida a submeter-se a um só mestre, não procurar um que seja como eu digo; porque, se lhe faltarem as três coisas,13 a cruz não será leve. Que não desejemos, por vontade própria, submeter-nos a quem não tenha bom entendimento. Eu ao menos nunca pude aceitar isso, nem o considero conveniente. Quem é secular deve louvar a Deus por poder escolher aquele a quem há de sujeitar-se e não deve perder essa liberdade tão virtuosa; deve preferir ficar sem mestre, até encontrá-lo, porque o Senhor lhe dará um, se tudo estiver fundado na humildade e no desejo de acertar. Eu muito O louvo por isso, e as mulheres e os que não temos instrução deveríamos sempre dar-Lhe infinitas graças por haver quem, com tantos esforços, tenha alcançado a verdade que nós, ignorantes, desconhecemos.

20. Espantam-me muitas vezes as pessoas instruídas, religiosas em especial, que conseguiram com trabalho o que eu, sem nenhum, além de perguntar, aproveito. E ainda há quem não queira se valer desse meio! Que Deus não o permita! Eu as vejo viver sujeitas aos trabalhos da religião, que são gran des, com penitências e pouca alimentação, submetidas à obediência — o que por vezes me deixa confusa —, padecendo, além disso, de poucas horas de sono, de muito trabalho, de muitas cruzes. Considero um grande mal que al guém, por sua culpa, deixe passar a oportunidade de aproveitar tanto bem. E talvez alguns dentre nós, livres desses labores, vivendo ao bel-prazer, e re cebendo dessas pessoas o alimento mastigado, como se diz, pensem que, por ter um pouco mais de oração, levam vantagem diante de tantos sofrimentos.14

21. Bendito sejais, Senhor, que tão inábil e sem utilidade me fizestes! Mas louvo-Vos muito, porque despertais tantos que nos despertam. A nossa oração por quem nos dá luz devia ser contínua. Que seríamos sem eles em meio às tempestades tão grandes que ora atingem a Igreja? Se tem havido alguns ruins,15 mais brilharão os bons. Queira o Senhor sustentá-los com a Sua mão e ajudá-los para que nos ajudem, amém.

22. Eu me afastei muito — e de propósito — do que comecei a dizer; mas tudo tem como alvo os iniciantes, para que comecem caminho tão elevado seguindo o rumo verdadeiro. Voltando ao que dizia,16 pensar em Cristo atado à coluna, é bom pensar um pouco e refletir sobre os sofrimentos que Ele teve ali, por que os teve, quem é e com que amor os suportou. Mas ninguém se canse em procurar sempre isso, mas, aquietado o intelecto, fique ali com Ele. Se puder, que se ocupe em ver que Ele o olha, fazendo-Lhe companhia, falando com Ele, pedindo, humilhando-se e deliciando-se com Ele, tendo sempre em mente que não merece estar ali. Se puder fazer isso, mesmo que seja no princípio da oração, terá grande proveito, pois esse modo de oração é muito benéfico, ou ao menos o foi para a minha alma.

Não sei se falo verdades; vossa mercê o julgará. Queira Deus que eu sempre consiga contentá-Lo, amém.

19 comentários:

  1. Capítulo 12

    No capítulo anterior, refletimos até onde podemos chegar por nós mesmos no caminho da oração. Todavia, chegando aqui, não devemos tentar prosseguir sozinhos.
    - Procurar ajuda na leitura de bons livros, como o fez Santa Teresa com o livrinho “A arte de servir a Deus” será uma grande ajuda.
    - Teresa sempre foi consciente de que abandonar a contemplação da vida histórica de Cristo é uma perigosa ilusão, pois a humanidade de Jesus será sempre o único caminho de acesso a Deus e às exigências do Reino. Teresa insiste, em seus escritos e em sua própria vida, na importância capital da meditação e contemplação de Cristo, acima de tudo, da sua Paixão, uma vez que concebia a paixão de Cristo como a forma de fazer da vida mística uma imitação de Jesus, na vida concreta. “Eu só podia pensar em Cristo Homem... Pude acostumar-me e enamorar-me muito de sua humanidade e trazê-la sempre comigo” (V.XII, 2). Teresa encontra na humanidade de Jesus a garantia de equilíbrio e realismo da contemplação cristã. Em seu Caminho de Perfeição confessa também que o Evangelho era continuamente a fonte de apoio para sua oração e praticamente o único livro que utilizava. Ela e todos os místicos ajudam a recuperar a paixão de Jesus, como graça especial de conversão e inspiração de todo compromisso cristão.
    - Sabe-se que, atualmente, há a necessidade de uma espiritualidade capaz de preparar até para o martírio; por isso a meditação da paixão é um componente e uma motivação evangélica indispensáveis. Faz bem elevar o pensamento à grandeza de Deus e à sua sabedoria, porque assim tomamos conta de nossa pequenez e humildade, pois essa virtude é o fundamento para toda oração. O senhor jamais prejudicará quem chegar a Ele com humildade
    - “Não se elevem sem que Deus os eleve”, ensina Teresa. Será ilusão procurar a oração por nós mesmos; ela é dom de Deus e Ele nos eleva. Agindo sozinhos, ficaremos “bobos e frios”.

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  2. Capítulo 12

    No capítulo anterior, refletimos até onde podemos chegar por nós mesmos no caminho da oração. Todavia, chegando aqui, não devemos tentar prosseguir sozinhos.
    - Procurar ajuda na leitura de bons livros, como o fez Santa Teresa com o livrinho “A arte de servir a Deus” será uma grande ajuda.
    - Teresa sempre foi consciente de que abandonar a contemplação da vida histórica de Cristo é uma perigosa ilusão, pois a humanidade de Jesus será sempre o único caminho de acesso a Deus e às exigências do Reino. Teresa insiste, em seus escritos e em sua própria vida, na importância capital da meditação e contemplação de Cristo, acima de tudo, da sua Paixão, uma vez que concebia a paixão de Cristo como a forma de fazer da vida mística uma imitação de Jesus, na vida concreta. “Eu só podia pensar em Cristo Homem... Pude acostumar-me e enamorar-me muito de sua humanidade e trazê-la sempre comigo” (V.XII, 2). Teresa encontra na humanidade de Jesus a garantia de equilíbrio e realismo da contemplação cristã. Em seu Caminho de Perfeição confessa também que o Evangelho era continuamente a fonte de apoio para sua oração e praticamente o único livro que utilizava. Ela e todos os místicos ajudam a recuperar a paixão de Jesus, como graça especial de conversão e inspiração de todo compromisso cristão.
    - Sabe-se que, atualmente, há a necessidade de uma espiritualidade capaz de preparar até para o martírio; por isso a meditação da paixão é um componente e uma motivação evangélica indispensáveis. Faz bem elevar o pensamento à grandeza de Deus e à sua sabedoria, porque assim tomamos conta de nossa pequenez e humildade, pois essa virtude é o fundamento para toda oração. O senhor jamais prejudicará quem chegar a Ele com humildade
    - “Não se elevem sem que Deus os eleve”, ensina Teresa. Será ilusão procurar a oração por nós mesmos; ela é dom de Deus e Ele nos eleva. Agindo sozinhos, ficaremos “bobos e frios”.

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  3. Capítulo 13.

    Este capítulo tem grande sentido pedagógico. Teresa ensina:
    - Alegria e liberdade são necessárias no princípio; todavia deve-se temer o descuido, até que a virtude lance sólidas raízes na alma. O caminho da oração é um caminho real, para almas que têm grandes desejos, que vivem com o coração dilatado e um claro horizonte; é um assunto de mente aberta e de grandeza de alma.
    - Procurar as grandes coisas. Nosso projeto de vida de oração se alarga, muitas vezes, de forma inesperada e nos leva por caminhos surpreendentes, isto porque os caminhos do Espírito vêm de onde não sabemos e vão para onde também não sabemos. Por isso nos alerta ser necessário ter sempre a humildade diante dos olhos para entender que essas forças não vêm de nós e assim não construirmos castelos na areia. Conseguiremos superar todas as tentações, uma vez que o demônio se acovarda diante dos humildes.
    - Faz muita falta um mestre competente, para testemunhar o que acontece na pessoa que anda se aventurando pela vida de oração, porém com pensamentos amesquinhados e querendo que todos à sua volta sejam “espirituais”. Fala também da necessidade de teólogos sérios, para orientar nos momentos de tempestades da Igreja.
    - Quem começa a fazer oração deve deixar tudo e todos (desapego) e só querer saber de si e de contentar a Deus. Grave defeito é ter pena dos pecados e faltas dos outros: melhor seria olhar as suas virtudes e coisas boas.
    - Ao Senhor se pode servir também com um passeio, com uma conversação santa, ver água e flores, como se passava com ela. Recomenda não ocupar o intelecto todo o tempo. Produz muitos lucros falar e alegrar-se com o Senhor, sem se cansar em formular raciocínios: “Esse é o modo de oração conveniente para todos, um caminho excelente e muito seguro, até que o Senhor os leve a outras coisas sobrenaturais”
    - Começar pelo caminho mais seguro: pensar em Cristo, atado à coluna, avaliar Seus sofrimentos pelos nossos pecados, e muito mais: deixar-nos ficar ali com Ele...é o modo de oração que foi muito benéfico para a alma de Teresa e o será também para nós. Vem abrir-nos os olhos para percebermos que mesmo em estado de oração mais elevado, muitas vezes será necessário voltar ao princípio. Nossos pecados e o conhecimento próprio são o pão que se deve comer todos os dias.
    - “Aproxime-se dos bons e será um deles”; por isso Santa Teresa se aproximava de pessoas instruídas e que estudam as Sagradas Escrituras porque nas Escrituras elas encontram a verdade e jamais se opõem ao que é espiritual. Os demônios temem a instrução humilde e virtuosa.

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  4. Capítulo 14.

    Teresa passa a falar do segundo grau da oração: tirar a água do poço com uma nora; mais fácil, todavia sempre fatigante. Por ser mais fácil, sobra tempo para descansar. A este descanso, a este modo de oração chama-se “quietude”, quando a alma, recolhida em oração, deixa Deus agir nela.
    - É o recolhimento das faculdades. A alma passa a agir somente pela vontade, conservando a alegria e a quietude e colocando sua atenção somente em permanecer silenciosa diante de Deus.
    - As virtudes evangélicas fundamentais, que devemos cultivar com essa água de grandes bens e graças são: o amor ao próximo, o desapego dos bens e a humildade. Visto ser a “oração um trato de amizade com Deus”, não será possível sem o amor aos irmãos, sem liberdade de espírito e sem disponibilidade à ação de Deus em nós.
    - Amparada por tais virtudes, nossa alma começa a experimentar a alegria que supera nossa natureza e nossos sentidos. São os Dons de Deus. Conhecendo-se a si mesma, a alma já sente efeitos que começam a ser sobrenaturais, entendendo que se trata do Espírito de Deus.
    - O Senhor vai podando as árvores de nosso jardim e regando as flores, para que em nós cresça o desejo de não ofendê-LO mais, uma vez que nenhum esforço será bastante se Deus nos tira a água de sua graça. Refletindo sobre isso, tomaremos consciência do nada que somos e faremos crescer em nós a humildade.
    - Deus não deseja que se perca uma só alma por Ele conquistada com tanto sofrimento. E tendo sempre em mente os sofrimentos da Paixão de Cristo, só podemos cantar louvores a Ele e bendizê-LO por Suas infinitas misericórdias.
    - Teresa se atém ao lema: “não falar de oração sem fazê-la”. No livro, a vida e a oração se fundem, alternando-se as palavras dirigidas ao Senhor e ao leitor.

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  5. Capítulo 12

    No capítulo anterior, refletimos até onde podemos chegar por nós mesmos no caminho da oração. Todavia, chegando aqui, não devemos tentar prosseguir sozinhos.
    - Procurar ajuda na leitura de bons livros, como o fez Santa Teresa com o livrinho “A arte de servir a Deus” será uma grande ajuda.
    - Teresa sempre foi consciente de que abandonar a contemplação da vida histórica de Cristo é uma perigosa ilusão, pois a humanidade de Jesus será sempre o único caminho de acesso a Deus e às exigências do Reino. Teresa insiste, em seus escritos e em sua própria vida, na importância capital da meditação e contemplação de Cristo, acima de tudo, da sua Paixão, uma vez que concebia a paixão de Cristo como a forma de fazer da vida mística uma imitação de Jesus, na vida concreta. “Eu só podia pensar em Cristo Homem... Pude acostumar-me e enamorar-me muito de sua humanidade e trazê-la sempre comigo” (V.XII, 2). Teresa encontra na humanidade de Jesus a garantia de equilíbrio e realismo da contemplação cristã. Em seu Caminho de Perfeição confessa também que o Evangelho era continuamente a fonte de apoio para sua oração e praticamente o único livro que utilizava. Ela e todos os místicos ajudam a recuperar a paixão de Jesus, como graça especial de conversão e inspiração de todo compromisso cristão.
    - Sabe-se que, atualmente, há a necessidade de uma espiritualidade capaz de preparar até para o martírio; por isso a meditação da paixão é um componente e uma motivação evangélica indispensáveis. Faz bem elevar o pensamento à grandeza de Deus e à sua sabedoria, porque assim tomamos conta de nossa pequenez e humildade, pois essa virtude é o fundamento para toda oração. O senhor jamais prejudicará quem chegar a Ele com humildade
    - “Não se elevem sem que Deus os eleve”, ensina Teresa. Será ilusão procurar a oração por nós mesmos; ela é dom de Deus e Ele nos eleva. Agindo sozinhos, ficaremos “bobos e frios”.

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  6. Capítulo 12

    No capítulo anterior, refletimos até onde podemos chegar por nós mesmos no caminho da oração. Todavia, chegando aqui, não devemos tentar prosseguir sozinhos.
    - Procurar ajuda na leitura de bons livros, como o fez Santa Teresa com o livrinho “A arte de servir a Deus” será uma grande ajuda.
    - Teresa sempre foi consciente de que abandonar a contemplação da vida histórica de Cristo é uma perigosa ilusão, pois a humanidade de Jesus será sempre o único caminho de acesso a Deus e às exigências do Reino. Teresa insiste, em seus escritos e em sua própria vida, na importância capital da meditação e contemplação de Cristo, acima de tudo, da sua Paixão, uma vez que concebia a paixão de Cristo como a forma de fazer da vida mística uma imitação de Jesus, na vida concreta. “Eu só podia pensar em Cristo Homem... Pude acostumar-me e enamorar-me muito de sua humanidade e trazê-la sempre comigo” (V.XII, 2). Teresa encontra na humanidade de Jesus a garantia de equilíbrio e realismo da contemplação cristã. Em seu Caminho de Perfeição confessa também que o Evangelho era continuamente a fonte de apoio para sua oração e praticamente o único livro que utilizava. Ela e todos os místicos ajudam a recuperar a paixão de Jesus, como graça especial de conversão e inspiração de todo compromisso cristão.
    - Sabe-se que, atualmente, há a necessidade de uma espiritualidade capaz de preparar até para o martírio; por isso a meditação da paixão é um componente e uma motivação evangélica indispensáveis. Faz bem elevar o pensamento à grandeza de Deus e à sua sabedoria, porque assim tomamos conta de nossa pequenez e humildade, pois essa virtude é o fundamento para toda oração. O senhor jamais prejudicará quem chegar a Ele com humildade
    - “Não se elevem sem que Deus os eleve”, ensina Teresa. Será ilusão procurar a oração por nós mesmos; ela é dom de Deus e Ele nos eleva. Agindo sozinhos, ficaremos “bobos e frios”.

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  7. Capítulo 12

    No capítulo anterior, refletimos até onde podemos chegar por nós mesmos no caminho da oração. Todavia, chegando aqui, não devemos tentar prosseguir sozinhos.
    - Procurar ajuda na leitura de bons livros, como o fez Santa Teresa com o livrinho “A arte de servir a Deus” será uma grande ajuda.
    - Teresa sempre foi consciente de que abandonar a contemplação da vida histórica de Cristo é uma perigosa ilusão, pois a humanidade de Jesus será sempre o único caminho de acesso a Deus e às exigências do Reino. Teresa insiste, em seus escritos e em sua própria vida, na importância capital da meditação e contemplação de Cristo, acima de tudo, da sua Paixão, uma vez que concebia a paixão de Cristo como a forma de fazer da vida mística uma imitação de Jesus, na vida concreta. “Eu só podia pensar em Cristo Homem... Pude acostumar-me e enamorar-me muito de sua humanidade e trazê-la sempre comigo” (V.XII, 2). Teresa encontra na humanidade de Jesus a garantia de equilíbrio e realismo da contemplação cristã. Em seu Caminho de Perfeição confessa também que o Evangelho era continuamente a fonte de apoio para sua oração e praticamente o único livro que utilizava. Ela e todos os místicos ajudam a recuperar a paixão de Jesus, como graça especial de conversão e inspiração de todo compromisso cristão.
    - Sabe-se que, atualmente, há a necessidade de uma espiritualidade capaz de preparar até para o martírio; por isso a meditação da paixão é um componente e uma motivação evangélica indispensáveis. Faz bem elevar o pensamento à grandeza de Deus e à sua sabedoria, porque assim tomamos conta de nossa pequenez e humildade, pois essa virtude é o fundamento para toda oração. O senhor jamais prejudicará quem chegar a Ele com humildade
    - “Não se elevem sem que Deus os eleve”, ensina Teresa. Será ilusão procurar a oração por nós mesmos; ela é dom de Deus e Ele nos eleva. Agindo sozinhos, ficaremos “bobos e frios”.

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  8. No capítulo anterior, refletimos até onde podemos chegar por nós mesmos no caminho da oração. Todavia, chegando aqui, não devemos tentar prosseguir sozinhos.
    - Procurar ajuda na leitura de bons livros, como o fez Santa Teresa com o livrinho “A arte de servir a Deus” será uma grande ajuda.
    - Teresa sempre foi consciente de que abandonar a contemplação da vida histórica de Cristo é uma perigosa ilusão, pois a humanidade de Jesus será sempre o único caminho de acesso a Deus e às exigências do Reino. Teresa insiste, em seus escritos e em sua própria vida, na importância capital da meditação e contemplação de Cristo, acima de tudo, da sua Paixão, uma vez que concebia a paixão de Cristo como a forma de fazer da vida mística uma imitação de Jesus, na vida concreta. “Eu só podia pensar em Cristo Homem... Pude acostumar-me e enamorar-me muito de sua humanidade e trazê-la sempre comigo” (V.XII, 2). Teresa encontra na humanidade de Jesus a garantia de equilíbrio e realismo da contemplação cristã. Em seu Caminho de Perfeição confessa também que o Evangelho era continuamente a fonte de apoio para sua oração e praticamente o único livro que utilizava. Ela e todos os místicos ajudam a recuperar a paixão de Jesus, como graça especial de conversão e inspiração de todo compromisso cristão.
    - Sabe-se que, atualmente, há a necessidade de uma espiritualidade capaz de preparar até para o martírio; por isso a meditação da paixão é um componente e uma motivação evangélica indispensáveis. Faz bem elevar o pensamento à grandeza de Deus e à sua sabedoria, porque assim tomamos conta de nossa pequenez e humildade, pois essa virtude é o fundamento para toda oração. O senhor jamais prejudicará quem chegar a Ele com humildade
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  9. Capítulo 12

    No capítulo anterior, refletimos até onde podemos chegar por nós mesmos no caminho da oração. Todavia, chegando aqui, não devemos tentar prosseguir sozinhos.
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    - Teresa sempre foi consciente de que abandonar a contemplação da vida histórica de Cristo é uma perigosa ilusão, pois a humanidade de Jesus será sempre o único caminho de acesso a Deus e às exigências do Reino. Teresa insiste, em seus escritos e em sua própria vida, na importância capital da meditação e contemplação de Cristo, acima de tudo, da sua Paixão, uma vez que concebia a paixão de Cristo como a forma de fazer da vida mística uma imitação de Jesus, na vida concreta. “Eu só podia pensar em Cristo Homem... Pude acostumar-me e enamorar-me muito de sua humanidade e trazê-la sempre comigo” (V.XII, 2). Teresa encontra na humanidade de Jesus a garantia de equilíbrio e realismo da contemplação cristã. Em seu Caminho de Perfeição confessa também que o Evangelho era continuamente a fonte de apoio para sua oração e praticamente o único livro que utilizava. Ela e todos os místicos ajudam a recuperar a paixão de Jesus, como graça especial de conversão e inspiração de todo compromisso cristão.
    - Sabe-se que, atualmente, há a necessidade de uma espiritualidade capaz de preparar até para o martírio; por isso a meditação da paixão é um componente e uma motivação evangélica indispensáveis. Faz bem elevar o pensamento à grandeza de Deus e à sua sabedoria, porque assim tomamos conta de nossa pequenez e humildade, pois essa virtude é o fundamento para toda oração. O senhor jamais prejudicará quem chegar a Ele com humildade
    - “Não se elevem sem que Deus os eleve”, ensina Teresa. Será ilusão procurar a oração por nós mesmos; ela é dom de Deus e Ele nos eleva. Agindo sozinhos, ficaremos “bobos e frios”.

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  10. Capítulo 12

    No capítulo anterior, refletimos até onde podemos chegar por nós mesmos no caminho da oração. Todavia, chegando aqui, não devemos tentar prosseguir sozinhos.
    - Procurar ajuda na leitura de bons livros, como o fez Santa Teresa com o livrinho “A arte de servir a Deus” será uma grande ajuda.
    - Teresa sempre foi consciente de que abandonar a contemplação da vida histórica de Cristo é uma perigosa ilusão, pois a humanidade de Jesus será sempre o único caminho de acesso a Deus e às exigências do Reino. Teresa insiste, em seus escritos e em sua própria vida, na importância capital da meditação e contemplação de Cristo, acima de tudo, da sua Paixão, uma vez que concebia a paixão de Cristo como a forma de fazer da vida mística uma imitação de Jesus, na vida concreta. “Eu só podia pensar em Cristo Homem... Pude acostumar-me e enamorar-me muito de sua humanidade e trazê-la sempre comigo” (V.XII, 2). Teresa encontra na humanidade de Jesus a garantia de equilíbrio e realismo da contemplação cristã. Em seu Caminho de Perfeição confessa também que o Evangelho era continuamente a fonte de apoio para sua oração e praticamente o único livro que utilizava. Ela e todos os místicos ajudam a recuperar a paixão de Jesus, como graça especial de conversão e inspiração de todo compromisso cristão.
    - Sabe-se que, atualmente, há a necessidade de uma espiritualidade capaz de preparar até para o martírio; por isso a meditação da paixão é um componente e uma motivação evangélica indispensáveis. Faz bem elevar o pensamento à grandeza de Deus e à sua sabedoria, porque assim tomamos conta de nossa pequenez e humildade, pois essa virtude é o fundamento para toda oração. O senhor jamais prejudicará quem chegar a Ele com humildade
    - “Não se elevem sem que Deus os eleve”, ensina Teresa. Será ilusão procurar a oração por nós mesmos; ela é dom de Deus e Ele nos eleva. Agindo sozinhos, ficaremos “bobos e frios”.

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  11. Capítulo 13.

    Este capítulo tem grande sentido pedagógico. Teresa ensina:
    - Alegria e liberdade são necessárias no princípio; todavia deve-se temer o descuido, até que a virtude lance sólidas raízes na alma. O caminho da oração é um caminho real, para almas que têm grandes desejos, que vivem com o coração dilatado e um claro horizonte; é um assunto de mente aberta e de grandeza de alma.
    - Procurar as grandes coisas. Nosso projeto de vida de oração se alarga, muitas vezes, de forma inesperada e nos leva por caminhos surpreendentes, isto porque os caminhos do Espírito vêm de onde não sabemos e vão para onde também não sabemos. Por isso nos alerta ser necessário ter sempre a humildade diante dos olhos para entender que essas forças não vêm de nós e assim não construirmos castelos na areia. Conseguiremos superar todas as tentações, uma vez que o demônio se acovarda diante dos humildes.
    - Faz muita falta um mestre competente, para testemunhar o que acontece na pessoa que anda se aventurando pela vida de oração, porém com pensamentos amesquinhados e querendo que todos à sua volta sejam “espirituais”. Fala também da necessidade de teólogos sérios, para orientar nos momentos de tempestades da Igreja.
    - Quem começa a fazer oração deve deixar tudo e todos (desapego) e só querer saber de si e de contentar a Deus. Grave defeito é ter pena dos pecados e faltas dos outros: melhor seria olhar as suas virtudes e coisas boas.
    - Ao Senhor se pode servir também com um passeio, com uma conversação santa, ver água e flores, como se passava com ela. Recomenda não ocupar o intelecto todo o tempo. Produz muitos lucros falar e alegrar-se com o Senhor, sem se cansar em formular raciocínios: “Esse é o modo de oração conveniente para todos, um caminho excelente e muito seguro, até que o Senhor os leve a outras coisas sobrenaturais”
    - Começar pelo caminho mais seguro: pensar em Cristo, atado à coluna, avaliar Seus sofrimentos pelos nossos pecados, e muito mais: deixar-nos ficar ali com Ele...é o modo de oração que foi muito benéfico para a alma de Teresa e o será também para nós. Vem abrir-nos os olhos para percebermos que mesmo em estado de oração mais elevado, muitas vezes será necessário voltar ao princípio. Nossos pecados e o conhecimento próprio são o pão que se deve comer todos os dias.
    - “Aproxime-se dos bons e será um deles”; por isso Santa Teresa se aproximava de pessoas instruídas e que estudam as Sagradas Escrituras porque nas Escrituras elas encontram a verdade e jamais se opõem ao que é espiritual. Os demônios temem a instrução humilde e virtuosa.

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  12. Capítulo 12

    No capítulo anterior, refletimos até onde podemos chegar por nós mesmos no caminho da oração. Todavia, chegando aqui, não devemos tentar prosseguir sozinhos.
    - Procurar ajuda na leitura de bons livros, como o fez Santa Teresa com o livrinho “A arte de servir a Deus” será uma grande ajuda.
    - Teresa sempre foi consciente de que abandonar a contemplação da vida histórica de Cristo é uma perigosa ilusão, pois a humanidade de Jesus será sempre o único caminho de acesso a Deus e às exigências do Reino. Teresa insiste, em seus escritos e em sua própria vida, na importância capital da meditação e contemplação de Cristo, acima de tudo, da sua Paixão, uma vez que concebia a paixão de Cristo como a forma de fazer da vida mística uma imitação de Jesus, na vida concreta. “Eu só podia pensar em Cristo Homem... Pude acostumar-me e enamorar-me muito de sua humanidade e trazê-la sempre comigo” (V.XII, 2). Teresa encontra na humanidade de Jesus a garantia de equilíbrio e realismo da contemplação cristã. Em seu Caminho de Perfeição confessa também que o Evangelho era continuamente a fonte de apoio para sua oração e praticamente o único livro que utilizava. Ela e todos os místicos ajudam a recuperar a paixão de Jesus, como graça especial de conversão e inspiração de todo compromisso cristão.
    - Sabe-se que, atualmente, há a necessidade de uma espiritualidade capaz de preparar até para o martírio; por isso a meditação da paixão é um componente e uma motivação evangélica indispensáveis. Faz bem elevar o pensamento à grandeza de Deus e à sua sabedoria, porque assim tomamos conta de nossa pequenez e humildade, pois essa virtude é o fundamento para toda oração. O senhor jamais prejudicará quem chegar a Ele com humildade
    - “Não se elevem sem que Deus os eleve”, ensina Teresa. Será ilusão procurar a oração por nós mesmos; ela é dom de Deus e Ele nos eleva. Agindo sozinhos, ficaremos “bobos e frios”.

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  13. Capítulo 12

    No capítulo anterior, refletimos até onde podemos chegar por nós mesmos no caminho da oração. Todavia, chegando aqui, não devemos tentar prosseguir sozinhos.
    - Procurar ajuda na leitura de bons livros, como o fez Santa Teresa com o livrinho “A arte de servir a Deus” será uma grande ajuda.
    - Teresa sempre foi consciente de que abandonar a contemplação da vida histórica de Cristo é uma perigosa ilusão, pois a humanidade de Jesus será sempre o único caminho de acesso a Deus e às exigências do Reino. Teresa insiste, em seus escritos e em sua própria vida, na importância capital da meditação e contemplação de Cristo, acima de tudo, da sua Paixão, uma vez que concebia a paixão de Cristo como a forma de fazer da vida mística uma imitação de Jesus, na vida concreta. “Eu só podia pensar em Cristo Homem... Pude acostumar-me e enamorar-me muito de sua humanidade e trazê-la sempre comigo” (V.XII, 2). Teresa encontra na humanidade de Jesus a garantia de equilíbrio e realismo da contemplação cristã. Em seu Caminho de Perfeição confessa também que o Evangelho era continuamente a fonte de apoio para sua oração e praticamente o único livro que utilizava. Ela e todos os místicos ajudam a recuperar a paixão de Jesus, como graça especial de conversão e inspiração de todo compromisso cristão.
    - Sabe-se que, atualmente, há a necessidade de uma espiritualidade capaz de preparar até para o martírio; por isso a meditação da paixão é um componente e uma motivação evangélica indispensáveis. Faz bem elevar o pensamento à grandeza de Deus e à sua sabedoria, porque assim tomamos conta de nossa pequenez e humildade, pois essa virtude é o fundamento para toda oração. O senhor jamais prejudicará quem chegar a Ele com humildade
    - “Não se elevem sem que Deus os eleve”, ensina Teresa. Será ilusão procurar a oração por nós mesmos; ela é dom de Deus e Ele nos eleva. Agindo sozinhos, ficaremos “bobos e frios”.

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  14. Capítulo 12

    No capítulo anterior, refletimos até onde podemos chegar por nós mesmos no caminho da oração. Todavia, chegando aqui, não devemos tentar prosseguir sozinhos.
    - Procurar ajuda na leitura de bons livros, como o fez Santa Teresa com o livrinho “A arte de servir a Deus” será uma grande ajuda.
    - Teresa sempre foi consciente de que abandonar a contemplação da vida histórica de Cristo é uma perigosa ilusão, pois a humanidade de Jesus será sempre o único caminho de acesso a Deus e às exigências do Reino. Teresa insiste, em seus escritos e em sua própria vida, na importância capital da meditação e contemplação de Cristo, acima de tudo, da sua Paixão, uma vez que concebia a paixão de Cristo como a forma de fazer da vida mística uma imitação de Jesus, na vida concreta. “Eu só podia pensar em Cristo Homem... Pude acostumar-me e enamorar-me muito de sua humanidade e trazê-la sempre comigo” (V.XII, 2). Teresa encontra na humanidade de Jesus a garantia de equilíbrio e realismo da contemplação cristã. Em seu Caminho de Perfeição confessa também que o Evangelho era continuamente a fonte de apoio para sua oração e praticamente o único livro que utilizava. Ela e todos os místicos ajudam a recuperar a paixão de Jesus, como graça especial de conversão e inspiração de todo compromisso cristão.
    - Sabe-se que, atualmente, há a necessidade de uma espiritualidade capaz de preparar até para o martírio; por isso a meditação da paixão é um componente e uma motivação evangélica indispensáveis. Faz bem elevar o pensamento à grandeza de Deus e à sua sabedoria, porque assim tomamos conta de nossa pequenez e humildade, pois essa virtude é o fundamento para toda oração. O senhor jamais prejudicará quem chegar a Ele com humildade
    - “Não se elevem sem que Deus os eleve”, ensina Teresa. Será ilusão procurar a oração por nós mesmos; ela é dom de Deus e Ele nos eleva. Agindo sozinhos, ficaremos “bobos e frios”.

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  15. Capítulo 12

    No capítulo anterior, refletimos até onde podemos chegar por nós mesmos no caminho da oração. Todavia, chegando aqui, não devemos tentar prosseguir sozinhos.
    - Procurar ajuda na leitura de bons livros, como o fez Santa Teresa com o livrinho “A arte de servir a Deus” será uma grande ajuda.
    - Teresa sempre foi consciente de que abandonar a contemplação da vida histórica de Cristo é uma perigosa ilusão, pois a humanidade de Jesus será sempre o único caminho de acesso a Deus e às exigências do Reino. Teresa insiste, em seus escritos e em sua própria vida, na importância capital da meditação e contemplação de Cristo, acima de tudo, da sua Paixão, uma vez que concebia a paixão de Cristo como a forma de fazer da vida mística uma imitação de Jesus, na vida concreta. “Eu só podia pensar em Cristo Homem... Pude acostumar-me e enamorar-me muito de sua humanidade e trazê-la sempre comigo” (V.XII, 2). Teresa encontra na humanidade de Jesus a garantia de equilíbrio e realismo da contemplação cristã. Em seu Caminho de Perfeição confessa também que o Evangelho era continuamente a fonte de apoio para sua oração e praticamente o único livro que utilizava. Ela e todos os místicos ajudam a recuperar a paixão de Jesus, como graça especial de conversão e inspiração de todo compromisso cristão.
    - Sabe-se que, atualmente, há a necessidade de uma espiritualidade capaz de preparar até para o martírio; por isso a meditação da paixão é um componente e uma motivação evangélica indispensáveis. Faz bem elevar o pensamento à grandeza de Deus e à sua sabedoria, porque assim tomamos conta de nossa pequenez e humildade, pois essa virtude é o fundamento para toda oração. O senhor jamais prejudicará quem chegar a Ele com humildade
    - “Não se elevem sem que Deus os eleve”, ensina Teresa. Será ilusão procurar a oração por nós mesmos; ela é dom de Deus e Ele nos eleva. Agindo sozinhos, ficaremos “bobos e frios”.

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  16. Capítulo 12

    No capítulo anterior, refletimos até onde podemos chegar por nós mesmos no caminho da oração. Todavia, chegando aqui, não devemos tentar prosseguir sozinhos.
    - Procurar ajuda na leitura de bons livros, como o fez Santa Teresa com o livrinho “A arte de servir a Deus” será uma grande ajuda.
    - Teresa sempre foi consciente de que abandonar a contemplação da vida histórica de Cristo é uma perigosa ilusão, pois a humanidade de Jesus será sempre o único caminho de acesso a Deus e às exigências do Reino. Teresa insiste, em seus escritos e em sua própria vida, na importância capital da meditação e contemplação de Cristo, acima de tudo, da sua Paixão, uma vez que concebia a paixão de Cristo como a forma de fazer da vida mística uma imitação de Jesus, na vida concreta. “Eu só podia pensar em Cristo Homem... Pude acostumar-me e enamorar-me muito de sua humanidade e trazê-la sempre comigo” (V.XII, 2). Teresa encontra na humanidade de Jesus a garantia de equilíbrio e realismo da contemplação cristã. Em seu Caminho de Perfeição confessa também que o Evangelho era continuamente a fonte de apoio para sua oração e praticamente o único livro que utilizava. Ela e todos os místicos ajudam a recuperar a paixão de Jesus, como graça especial de conversão e inspiração de todo compromisso cristão.
    - Sabe-se que, atualmente, há a necessidade de uma espiritualidade capaz de preparar até para o martírio; por isso a meditação da paixão é um componente e uma motivação evangélica indispensáveis. Faz bem elevar o pensamento à grandeza de Deus e à sua sabedoria, porque assim tomamos conta de nossa pequenez e humildade, pois essa virtude é o fundamento para toda oração. O senhor jamais prejudicará quem chegar a Ele com humildade
    - “Não se elevem sem que Deus os eleve”, ensina Teresa. Será ilusão procurar a oração por nós mesmos; ela é dom de Deus e Ele nos eleva. Agindo sozinhos, ficaremos “bobos e frios”.

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  17. Capítulo 12

    No capítulo anterior, refletimos até onde podemos chegar por nós mesmos no caminho da oração. Todavia, chegando aqui, não devemos tentar prosseguir sozinhos.
    - Procurar ajuda na leitura de bons livros, como o fez Santa Teresa com o livrinho “A arte de servir a Deus” será uma grande ajuda.
    - Teresa sempre foi consciente de que abandonar a contemplação da vida histórica de Cristo é uma perigosa ilusão, pois a humanidade de Jesus será sempre o único caminho de acesso a Deus e às exigências do Reino. Teresa insiste, em seus escritos e em sua própria vida, na importância capital da meditação e contemplação de Cristo, acima de tudo, da sua Paixão, uma vez que concebia a paixão de Cristo como a forma de fazer da vida mística uma imitação de Jesus, na vida concreta. “Eu só podia pensar em Cristo Homem... Pude acostumar-me e enamorar-me muito de sua humanidade e trazê-la sempre comigo” (V.XII, 2). Teresa encontra na humanidade de Jesus a garantia de equilíbrio e realismo da contemplação cristã. Em seu Caminho de Perfeição confessa também que o Evangelho era continuamente a fonte de apoio para sua oração e praticamente o único livro que utilizava. Ela e todos os místicos ajudam a recuperar a paixão de Jesus, como graça especial de conversão e inspiração de todo compromisso cristão.
    - Sabe-se que, atualmente, há a necessidade de uma espiritualidade capaz de preparar até para o martírio; por isso a meditação da paixão é um componente e uma motivação evangélica indispensáveis. Faz bem elevar o pensamento à grandeza de Deus e à sua sabedoria, porque assim tomamos conta de nossa pequenez e humildade, pois essa virtude é o fundamento para toda oração. O senhor jamais prejudicará quem chegar a Ele com humildade
    - “Não se elevem sem que Deus os eleve”, ensina Teresa. Será ilusão procurar a oração por nós mesmos; ela é dom de Deus e Ele nos eleva. Agindo sozinhos, ficaremos “bobos e frios”.

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  18. Capítulo 13.

    Este capítulo tem grande sentido pedagógico. Teresa ensina:
    - Alegria e liberdade são necessárias no princípio; todavia deve-se temer o descuido, até que a virtude lance sólidas raízes na alma. O caminho da oração é um caminho real, para almas que têm grandes desejos, que vivem com o coração dilatado e um claro horizonte; é um assunto de mente aberta e de grandeza de alma.
    - Procurar as grandes coisas. Nosso projeto de vida de oração se alarga, muitas vezes, de forma inesperada e nos leva por caminhos surpreendentes, isto porque os caminhos do Espírito vêm de onde não sabemos e vão para onde também não sabemos. Por isso nos alerta ser necessário ter sempre a humildade diante dos olhos para entender que essas forças não vêm de nós e assim não construirmos castelos na areia. Conseguiremos superar todas as tentações, uma vez que o demônio se acovarda diante dos humildes.
    - Faz muita falta um mestre competente, para testemunhar o que acontece na pessoa que anda se aventurando pela vida de oração, porém com pensamentos amesquinhados e querendo que todos à sua volta sejam “espirituais”. Fala também da necessidade de teólogos sérios, para orientar nos momentos de tempestades da Igreja.
    - Quem começa a fazer oração deve deixar tudo e todos (desapego) e só querer saber de si e de contentar a Deus. Grave defeito é ter pena dos pecados e faltas dos outros: melhor seria olhar as suas virtudes e coisas boas.
    - Ao Senhor se pode servir também com um passeio, com uma conversação santa, ver água e flores, como se passava com ela. Recomenda não ocupar o intelecto todo o tempo. Produz muitos lucros falar e alegrar-se com o Senhor, sem se cansar em formular raciocínios: “Esse é o modo de oração conveniente para todos, um caminho excelente e muito seguro, até que o Senhor os leve a outras coisas sobrenaturais”
    - Começar pelo caminho mais seguro: pensar em Cristo, atado à coluna, avaliar Seus sofrimentos pelos nossos pecados, e muito mais: deixar-nos ficar ali com Ele...é o modo de oração que foi muito benéfico para a alma de Teresa e o será também para nós. Vem abrir-nos os olhos para percebermos que mesmo em estado de oração mais elevado, muitas vezes será necessário voltar ao princípio. Nossos pecados e o conhecimento próprio são o pão que se deve comer todos os dias.
    - “Aproxime-se dos bons e será um deles”; por isso Santa Teresa se aproximava de pessoas instruídas e que estudam as Sagradas Escrituras porque nas Escrituras elas encontram a verdade e jamais se opõem ao que é espiritual. Os demônios temem a instrução humilde e virtuosa.

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  19. Capítulo 13.

    Este capítulo tem grande sentido pedagógico. Teresa ensina:
    - Alegria e liberdade são necessárias no princípio; todavia deve-se temer o descuido, até que a virtude lance sólidas raízes na alma. O caminho da oração é um caminho real, para almas que têm grandes desejos, que vivem com o coração dilatado e um claro horizonte; é um assunto de mente aberta e de grandeza de alma.
    - Procurar as grandes coisas. Nosso projeto de vida de oração se alarga, muitas vezes, de forma inesperada e nos leva por caminhos surpreendentes, isto porque os caminhos do Espírito vêm de onde não sabemos e vão para onde também não sabemos. Por isso nos alerta ser necessário ter sempre a humildade diante dos olhos para entender que essas forças não vêm de nós e assim não construirmos castelos na areia. Conseguiremos superar todas as tentações, uma vez que o demônio se acovarda diante dos humildes.
    - Faz muita falta um mestre competente, para testemunhar o que acontece na pessoa que anda se aventurando pela vida de oração, porém com pensamentos amesquinhados e querendo que todos à sua volta sejam “espirituais”. Fala também da necessidade de teólogos sérios, para orientar nos momentos de tempestades da Igreja.
    - Quem começa a fazer oração deve deixar tudo e todos (desapego) e só querer saber de si e de contentar a Deus. Grave defeito é ter pena dos pecados e faltas dos outros: melhor seria olhar as suas virtudes e coisas boas.
    - Ao Senhor se pode servir também com um passeio, com uma conversação santa, ver água e flores, como se passava com ela. Recomenda não ocupar o intelecto todo o tempo. Produz muitos lucros falar e alegrar-se com o Senhor, sem se cansar em formular raciocínios: “Esse é o modo de oração conveniente para todos, um caminho excelente e muito seguro, até que o Senhor os leve a outras coisas sobrenaturais”
    - Começar pelo caminho mais seguro: pensar em Cristo, atado à coluna, avaliar Seus sofrimentos pelos nossos pecados, e muito mais: deixar-nos ficar ali com Ele...é o modo de oração que foi muito benéfico para a alma de Teresa e o será também para nós. Vem abrir-nos os olhos para percebermos que mesmo em estado de oração mais elevado, muitas vezes será necessário voltar ao princípio. Nossos pecados e o conhecimento próprio são o pão que se deve comer todos os dias.
    - “Aproxime-se dos bons e será um deles”; por isso Santa Teresa se aproximava de pessoas instruídas e que estudam as Sagradas Escrituras porque nas Escrituras elas encontram a verdade e jamais se opõem ao que é espiritual. Os demônios temem a instrução humilde e virtuosa.

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